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Maria-Fumaça: Ouro Preto e Mariana em um passeio bucólico

Passeio de Maria Fumaça é algo bem agradável. Por isso, o trem que liga Ouro Preto a Mariana é uma atração turística única.

O trecho de pouco mais de 18 km entre as duas cidades mineiras é um dos passeios mais procurados para quem quer mergulhar em história e conhecer os encantos das montanhas de Minas Gerais.

Nesse artigo, exploraremos o que faz o passeio ser encantador além de dicas sobre quando visitar e como chegar até o local. Vem conosco!

História e curiosidades da Maria Fumaça de Ouro Preto

A Maria Fumaça recebeu este nome no Brasil devido a densa nuvem de vapor e fuligem que sai de sua chaminé. Por isso, é importante entender que o trem que faz o embarque e desembarque de passageiros entre Ouro Preto e Mariana não é exatamente uma Maria-Fumaça. Para se considerado com tal, seria necessária uma tração a vapor.

Desde sua restauração em 2006 pela empresa Vale, foi trocada por modernos procedimentos de condução. Porém, o resgate histórico está em ter-se mantido a estrutura original do meio de transporte. Ele é todo feito de madeira (inclusive os bancos) e atualmente a tração do trem é realizada com abastecimento à diesel.

Estação Ferroviária mariana maria fumaça
Locomotiva à diesel na Estação Ferroviária de Mariana – Foto: Mark Hillary (CC BY 2.0)

Sua construção foi importante para a economia das duas cidades no início do Século 19. Em outras palavras, a Maria-Fumaça transportou material de olarias e pedreiras entre Ouro Preto e Mariana. A história da ferrovia data de 1883 e foi finalizada em 1914. Isso significa que entrou em funcionamento apenas 34 anos depois da locomotiva similar que liga Tiradentes à São João del Rey. Mas isso não tira o charme do passeio que traduz as cidades em história e beleza.

Maria-Fumaça parte de um pequeno museu na Praça da Estação

A primeira dica para fazer o passeio é se atentar na chegada com antecedência ao local. Isso porque a Estação contém um pequeno museu que aborda a história da ferrovia e costuma ter exposições itinerantes. Além disso, ela abriga um conjunto arquitetônico pré-moderno, que rende boas fotos e uma visitação agradável.

Em seu interior, há exibição de vídeos da construção, da restauração e até uma maquete explicativa sobre o trajeto. Situada na Praça Cesário Alvim, Barra, a praça é conhecida popularmente como Praça da Estação. Do ponto central de Ouro Preto, onde fica o Museu da Inconfidência, é uma caminhada de cerca de 20 minutos apenas com descida.

Àqueles que preferirem, o transporte público ou por táxis até a Maria-Fumaça pode ser feito próximo à Feirinha de Pedra Sabão, no centro da cidade. Neste caso, o trajeto tem apenas 5 minutos e varia entre R$3,40 e R$15,00.

Na Praça da Estação de Ouro Preto você ainda pode ver a locomotiva Brigadier, usada pelos militares durante a Primeira Guerra Mundial e de fabricação alemã. Em Mariana, está exibida a Loco 201, que operou no trecho entre 2006 e 2010 e foi fabricada na República Tcheca.

Passeio prioriza paisagens com cachoeiras, vales e mina de ouro

O percurso entre as duas cidades leva cerca de uma hora. Entre montanhas, vales e até mesmo uma mina de ouro desativada (Mina de Passagem), é possível contemplar cenários deslumbrantes.  Você também terá uma visão espetacular da Cachoeira do Bigode – uma queda d’água de mais de 30 metros pouco após o limite entre Ouro Preto e Mariana.

vista do trem maria fumaça ouro preto
Belezas que podem ser admiradas durante o percurso do trem – Foto: divulgação Trem da Vale

A Maria-Fumaça passa também pela antiga Fábrica de tecidos de Ouro Preto, hoje transformada em um centro de eventos. A visão é contemplativa, mas é importante a escolha de lugares para uma melhor apreciação da paisagem.

A primeira dica é a escolha dos vagões intermediários, que permitem fotos panorâmicas mais interessantes. Para quem irá pegar a locomotiva em Ouro Preto, o melhor lado para se sentar é o lado direito. Isso porque a visão é melhor e mais completa.

Existem ainda dois tipos de vagões: o panorâmico e o convencional.  No panorâmico, há menor esforço para se observar toda a paisagem, já que é todo feito de vidro e possui ar condicionado. Por outro lado, no convencional, os turistas costumam mudar de lugar o tempo todo, conforme o que aparece no cenário.

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O vagão panorâmico possui amplas janelas de vidro – Foto: divulgação Trem da Vale

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Interior do vagão convencional, Trem de Férias 2019 – Foto: divulgação Trem da Vale

Dicas importantes para um passeio inesquecível

É proibida a alimentação de qualquer espécie dentro da Maria-Fumaça. Por isso, alimente-se antes. E não se preocupe com água, pois são servidas em copinhos descartáveis durante o trajeto.

É interessante ficar atento às informações dos guias, que antecipam os pontos de visão minutos antes de aparecerem. Além disso, também explicam sobre o cenário e utilização dos trens ao longo do último século.

As vendas de passagens se encerram 10 minutos antes do embarque mas você pode também comprar pelo site do Trem da Vale.

Há descontos promocionais para baixas temporadas e política de meia-entrada.

Dos 6 vagões, apenas 1, com 52 lugares é destinado ao passeio panorâmico, enquanto os outros 5, com 240 lugares são vagões convencionais.

Os horários de partida são:

De Ouro Preto

9h e 14h – Segunda à sábado

9h e 14h30 – Domingo

De Mariana

11h e 16h30 – Segunda à sábado

12h – Domingo

trem locomotiva ouro preto mariana
Percurso entre as montanhas de Minas Gerais – Foto: Clarissa Pacheco (CC BY 2.0)

Importante citar que se sua estadia em Ouro Preto compreender um período pequeno, a dica é apenas ir até Mariana de Maria-Fumaça e retornar de ônibus. Isso porque a cidade vizinha tem também pontos curiosos para conhecer e que podem ser visitados em um período de um dia. Por exemplo, a Catedral da Sé, Praça Minas Gerais e Museu Arquidiocesano de Arte Sacra.

A volta é realizada em ponto próximo ao desembarque de Mariana e a descida, na Praça Tiradentes, em Ouro Preto.

E para quem optou pela ida às sextas ou domingos, é imperdível conhecer a Igreja da Sé em Mariana. Ela possui o órgão alemão Arp Schnitger, trazido em 1753 para o Brasil e em funcionamento . O concerto às sextas acontece às 11:15 e aos domingos, às 12h15. Para saber mais, clique aqui.

Texto feito com a colaboração de Wendell Soares, jornalista e residente em Ouro Preto.