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Museu da Inconfidência: uma experiência única em Ouro Preto

O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto – MG, foi o 3º museu mais visitado do país em 2019. No período, cerca de 200 mil pessoas conheceram o lugar. Em outras palavras, o acervo histórico e patrimonial de uma das principais cidades do barroco brasileiro é uma visita imperdível para quem quer entender mais sobre nossa cultura e história.

A cidade de Ouro Preto fica a apenas 100 km de Belo Horizonte, possuindo acesso direto dos aeroportos de Confins ou Pampulha (confira aqui informações sobre os dois aeroportos).

Situado na Praça Tiradentes, região central da cidade, o Museu da Inconfidência data de meados dos anos 1930. Ao passo que em seu acervo é possível encontrar documentos e objetos relacionados à Inconfidência Mineira. Além disso, ele abriga o Panteão com os restos mortais dos Inconfidentes, em uma sala inaugurada em 1942.

Neste texto, você conhecerá um pouco mais sobre as curiosidades do museu e ao mesmo tempo entenderá o que torna a visita ao museu essencial.

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Praça Tiradentes com o Museu da Inconfidência ao fundo – Foto: Felipe Zig

Século 18 em imagens, arquivos e peças históricas

O Museu da Inconfidência foi criado a partir de um projeto do governo Getúlio Vargas, que pretendia reconhecer os esforços de liberdade do povo mineiro. Primeiramente, sua estrutura combina elementos do barroco e do rococó, duas manifestações artísticas importantes em Minas Gerais, também encontrados em outras cidades, como Tiradentes. Além disso, o acervo do museu contém mais de 40 mil documentos que explicam o contexto histórico e a vida de Minas Gerais no Século 18.

Dentre os principais itens, pode-se destacar:

  • Os Autos da Devassa (reunião de processos pós-revolta de Vila Rica, que ficou conhecida como Inconfidência Mineira);
  • Manuscritos de música colonial mineira;
  • Objetos de uso do Século 18, como liteiras, vestuários e mobílias de casas;
  • Presépios, oratórios e retábulos originais da época;
  • Acervos de pintura atribuídos a Ataíde, o maior pintor do barroco naquele período.

O Museu da Inconfidência funciona onde anteriormente era a Casa de Câmara e Cadeia da antiga Vila Rica. Além disso, anexo ao prédio principal, que forma o mais conhecido cartão postal da cidade juntamente ao monumento a Tiradentes, o museu possui outros quatro pontos incorporados. Neles funcionam biblioteca, um setor exclusivo para restauro e conservação das peças, auditório e sala de exposições temporárias.

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Oratório do século 18 – Foto: acervo Museu da Inconfidência

Acervo do Museu da Inconfidência é destaque nacional

A pluralidade do museu encanta por sua representação em diversas artes da história mineira e nacional. Por exemplo, há esculturas atribuídas a Francisco Xavier de Brito como um andor completo da Imaculada Conceição. Além deste item, existem várias figuras de presépio e um grande São Jorge atribuídos a Aleijadinho.

Entre os objetos cromados com ouro, é possível encontrar cruzes, cálices, turíbulos e coroas utilizados em procissões religiosas. Do mesmo modo, em relação ao mobiliário, existem exemplares de cômodas, mesas, camas e cadeiras que perpassam os séculos 17, 18 e 19. Estes últimos itens pertenceram à elite ouro-pretana da época.

Há também de se dar destaque aos objetos de uso dos escravos, que compõem o mobiliário e reforçam as atrocidades cometidas durante a escravidão no Brasil.

Ossada de 16 inconfidentes estão reunidas no Panteão

A Inconfidência Mineira, como pano de fundo para o museu, está representada em sua essência no Panteão. Isso porque ela é considerada um dos mais importantes movimentos sociais do país, tendo ocorrido em 1789. Primeiramente, tentou-se rebelar contra os altos impostos. Além disso, deu foco à iniciativa de se lutar contra a opressão da Coroa Portuguesa.

O destino de Tiradentes é conhecido por todos, contudo, o dos outros inconfidentes não. Nesse sentido, se hoje todos estão com as ossadas identificadas e repatriadas, a reunião delas no Museu da Inconfidência foi longa.

Após um julgamento dos demais rebeldes por três anos, as penas variaram: houve inconfidentes expulsos da colônia e exilados na África e alguns condenados à prisão perpétua. Dos condenados à forca, apenas Tiradentes teve a execução cumprida, enquanto os outros foram perdoados pela rainha de Portugal, Dona Maria.

Até 2011, o paradeiro de 3 dos inconfidentes era em terras africanas, quando o governo federal confirmou sua identificação e os sepultou no Panteão. Dos 26 nomes associados à Inconfidência Mineira, 10 ainda possuem origem desconhecida. Após a chegada dos restos mortais de José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota, hoje são 16 ossadas que formam o Panteão da Inconfidência dentro do museu.

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Panteão da Inconfidência, onde estão os túmulos dos inconfidentes – Foto: divulgação Museu da Inconfidência

Museu da Inconfidência também abriga o amor proibido da época

Além de Tiradentes, um dos inconfidentes mais conhecidos foi o poeta Tomás Antônio Gonzaga. A princípio, com o pseudônimo de Dirceu, escreveu os versos românticos que retrataram Ouro Preto no Século 18. Sua musa inspiradora, Maria Doroteia, ganhou o nome de Marília de Dirceu.

A história conta que a diferença de idade e o vínculo de Marília com a coroa portuguesa impediram o amor de se concretizar. Contudo, dentro do Museu da Inconfidência, os restos mortais do poeta e de sua musa descansam próximos. Enquanto ele se encontra no Panteão, junto aos outros inconfidentes, os restos mortais de Marília está na antessala anterior. Junto ao memorial dela, é possível também encontrar uma lápide em homenagem a Bárbara Heliodora, ativista política mineira e poetisa.

Na vida real, Tomás Antônio foi exilado em Moçambique, onde se casou com a filha de um mercador de escravos e veio a falecer em solo africano. Marília, por sua vez, morreu aos 85 anos esperando o retorno de seu noivo. Alguns historiadores contam que eles chegaram a ficar noivos no aniversário de 18 anos de Marília e que ele foi preso na mesma data, traído junto com os outros inconfidentes por Joaquim Silvério dos Reis.

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Do Museu de Ciência da UFOP se tem a melhor vista da Praça Tiradentes – Foto: Felipe Zig

Visitação ao Museu da Inconfidência

Com todo este acervo de objetos e memórias, é fácil compreender o motivo do museu estar entre os principais do Brasil. Por isso, ele é destino obrigatório para quem quer conhecer Ouro Preto, sendo inclusive porta de entrada para desbravar os encantos da cidade.

O Museu da Inconfidência funciona de terça a quinta no horário das 10h às 18h; sexta das 10h às 20h; sábado das 10h às 17h e no domingo das 9h às 14h.

Possui preços populares e também conta com meia entrada para os critérios definidos na Lei Federal. Todavia, moradores de Ouro Preto, estudantes da cidade (UFOP, UFMG e rede pública e privada municipal), menores de 7 anos e acompanhantes de PNE possuem gratuidade.

Para fazer um passeio virtual pelo museu você pode clicar aqui. No site, há fotos e informações sobre as principais peças do acervo.

Existe restrição de 55 pessoas quando acompanhadas por um guia e o museu permite fotografar com celulares. Porém, há salas onde a regra não é válida (por exemplo, o Panteão) e em nenhum dos casos pode haver o uso comercial das fotos.

Visitas mediadas precisam acontecer entre terças e sextas-feiras e devem ser previamente agendadas pelo e-mail mdinc@museus.gov.br.

Contatos

Site: museudainconfidencia.museus.gov.br

Telefone: (31) 3551-1121 / 3551-5233

Texto feito com a colaboração de Wendell Soares, jornalista e residente em Ouro Preto.