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Vale do Amor, aventura e belezas na Capadócia

A Capadócia é um lugar de grande beleza natural e importância histórica que parece não ter nada de aventura. Só parece!

Uma das atrações mais famosas da Capadócia, o Love Valley (Vale do Amor) é um lugar que envolve muita emoção para os que se aventuram em conhecê-lo. Eu só descobri que estava na rota da aventura quando já estava dentro do vale!

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Por que Vale do Amor?

Se você observar as formações rochosas do Vale do Amor vai perceber que elas lembram algo. Sacou? Devido a essa semelhança o local começou a ser chamado de Vale do Amor.

Foto: Ralph Kränzlein (CC BY-NC-ND 2.0)

Vales da Capadócia

Na Capadócia existem vários “vales” que concentram algumas formações rochosas inusitadas: o Vale dos Monges onde há as famosas chaminés das fadas; o Vale Devrent que possui paisagens lunares; o Vale Ihlara que é um canyon, o Vale do Amor, entre outros.

Todos esses vales citados acima são turísticos e estão nas rotas dos principais tours oferecidos pelas agências de turismo da Capadócia. Por isso, você verá que muitos turistas conhecem o Vale do Amor. Entretanto, nos tours o ônibus/van para no alto do vale e os turistas veem o as formações rochosas de longe. Essa é a grande questão que você precisa se atentar e eu fui descuidado, por isso quase cair em uma furada.

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Como conhecer o Vale do Amor

A maioria dos turistas conhecem o Vale do Amor através de um tour. Os dois principais tours da Capadócia são o Red e Green tour. Quase todas as agências de turismo utilizam esses nomes para denominar os tours e apesar de variar um pouco as atrações que visitam, o Vale do Amor costuma estar dentro do Red Tour.

Porém, como havia dito os turistas veem o vale de longe, pois no tour eles não descem dentro do vale; já que isso levaria muito tempo e o tour passa por vários locais.

Como eu parei sem querer no meio de um vale perdido

Eu havia feito o Green Tour em um dia e no dia seguinte visitei por conta própria o Museu a Céu Aberto de Goreme. Depois, decidimos ir ao Vale do Amor, pois era perto de Goreme. Perguntamos na informação turística, ao lado da rodoviária, como teríamos que fazer para chegar no Vale do Amor. O atendente foi atencioso, mas se limitou a responder a pergunta. Ele disse que precisaríamos pegar um ônibus, depois fazer uma caminhada pelo vale. Não entendi tudo que ele falou, porque além do meu inglês não ser tão bom, ele tinha um sotaque forte. Porém, não me lembro dele ter falado em momento nenhum que era uma caminhada puxada e longa.

Pegamos o ônibus para Uchisar e falamos que iríamos descer no Vale do Amor. O motorista nos entendeu, mas esqueceu da gente. Eram apenas 15 minutos no ônibus, mas quando chegamos em uma vila, ele nos disse que teríamos que pegar outro ônibus no sentido contrário. O ônibus não demorou a passar e o motorista nem nos cobrou nada. Parece que não era tão incomum acontecer isso.

Descemos ao lado de uma loja de produtos típicos, no meio do nada e perguntamos se aquele era o caminho para o Vale do Amor e eles disseram que sim. Era uma estrada de terra a se perder de vista.

Caminho para a trilha para o Vale do Amor

Andamos um pouco e chegamos em uma bifurcação onde uma plaquinha indicava o Vale do Amor. A estrada virou uma trilha em um local descampado e vimos pessoas vindo do sentido contrário, uma mãe com dois filhos adolescentes. Eles estavam com cara de exaustos, perguntando se ainda faltava muito para acabar. Achamos aquilo meio esquisito, mas seguimos o caminho. Mais a frente havia um grupo de pessoas subindo de dentro de um vale e nos disseram que o caminho ao Vale do Amor era por dentro do vale, uma caminhada meio longa, mas tranquila, só seguir em frente.

O começo da descida do vale é bem íngreme e dá medo. Entretanto, esse trecho é bem curto e logo você chega ao centro do vale. Havia uma pequena trilha, sem nenhuma indicação do caminho. Às vezes, a trilha sumia e reaparecia um pouco mais a frente, além de existirem algumas bifurcações nela. Mas, como estávamos dentro de um vale, com encostas altas dos dois lados, imaginamos que era só seguir na mesma direção.

Descida para o Vale do Amor – Foto: Melanie Bateman (CC BY-NC-ND 2.0)

Andamos 30 minutos e não tínhamos a mínima ideia se estávamos no caminho certo. Como não fomos preparados para a caminhada, tínhamos apenas um pouquinho de água e nenhuma comida.

Desde que descemos para dentro do vale não havíamos visto ninguém no caminho. Começamos a ficar preocupados, principalmente quando vimos que o vale, assim como um rio, possuía algumas ramificações. Porém, decidimos seguir em frente sempre na parte mais larga do vale.

Depois de uma hora caminhando, vimos a primeira pessoa, um turista vindo no sentido contrário. Ele nos disse que estávamos na direção certa, mas ainda tinha uma boa caminhada para chegar até as rochas principais.

Andamos mais um pouco, o vale ficou bem mais largo e vimos as famosas rochas com formato icônico que dão nome de “amor” ao vale. Essas rochas são imensas, por isso que é possível vê-las de longe do alto do vale, onde as excursões param.

Tiramos algumas fotos e fomos até uma vendinha que havia no local. Compramos uma água e descansamos um pouco. Mesmo tendo andado alguns quilômetros sem saber aonde iríamos parar, estávamos com sensação de dever cumprido e felizes. De onde estávamos conseguíamos ver os ônibus das excursões que paravam para ver o vale.

Perguntamos ao dono da vendinha como sairíamos do vale. Ele nos disse que não era possível subir até onde os ônibus estavam. Era necessário andar mais um quilômetro para sair do vale e mais três quilômetros até Goreme.

Foi um banho de água fria! Já estávamos exaustos, porque já havíamos caminhado pela manhã, além do trekking no Vale do Amor à tarde. Como era o único jeito, continuamos a caminhada. Já não era mais uma trilha, mas uma estrada de terra. Andamos cerca de 20 minutos e passou um carro bem velho, pedimos carona e ele parou. Era o dono da vendinha do Vale do Amor que, gentilmente, parou para nos dar carona até Goreme. Ficamos tão agradecidos que até pedi para tirar uma foto com ele na frente de seu carro, veja foto abaixo.

Dono da vendinha que nos deu carona

Conclusão

As pedras do Vale do Amor não são tão interessantes ao ponto de valer a grande caminhada. O mais interessante é o trekking em si pelo vale. A experiência é bem legal! A caminhada é de nível intermediário e dá para fazer sozinho, apesar de você achar que estará perdido.

Porém, várias agências de turismo vendem esse tour com um guia. Essa é uma opção mais indicada de que tudo vai dar certo.

O meu maior medo era sermos roubados no caminho, já que estávamos com câmeras e dinheiro e o caminho era deserto. Mas, parece que isso não é comum, pois muita gente faz esse trekking sozinho.

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Felipe Zig
Felipe Zighttps://www.abraceomundo.com/
Felipe Zig é jornalista, fotógrafo e apaixonado por viajar. Depois de conhecer mais de 20 países, decidiu criar o blog “Abrace o Mundo” para dar dicas de viagens e incentivar outras pessoas a viajar.

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